Encontrar padrões é o primeiro passo
Os cientistas estão a usar computadores para encontrar padrões nos sons, movimentos e comportamentos dos animais para tentar perceber o que significam.
Para conseguir isso, os investigadores recolhem enormes quantidades de informação. Gravaram milhares de horas de latidos, miados, sons de baleias e de muitos outros animais. Depois, os sistemas de IA analisam esses registos à procura de repetições e diferenças.
Por exemplo, um tipo de ladrar pode aparecer muitas vezes quando um cão está contente, enquanto outro surge quando está assustado ou alerta. Com o tempo, os programas começam a reconhecer essas associações.
Os animais falam com o corpo todo
Mas os sons contam apenas parte da história. Quando um cão abana a cauda, baixa as orelhas ou muda a postura, também está a comunicar. O mesmo acontece com os gatos e com muitos outros animais.
Por isso, alguns projetos estão a juntar várias pistas ao mesmo tempo: som, posição do corpo, expressão e movimento. Quanto mais sinais forem analisados em conjunto, maior pode ser a capacidade de perceber o que o animal está a sentir.
Por exemplo, investigadores que estão a estudar os sons dos cachalotes descobriram que estes gigantes do oceano usam sequências muito organizadas de estalidos para comunicar dentro do grupo, quase como mensagens codificadas.
O que poderá mudar no futuro?
Ainda estamos longe de ter uma aplicação no telemóvel capaz de traduzir conversas completas com o teu animal de estimação. Mas esta tecnologia pode trazer mudanças importantes.
Se os veterinários conseguirem identificar sinais de dor ou desconforto mais cedo, alguns problemas de saúde poderão ser detetados mais rapidamente.
Também pode ajudar as pessoas a compreender melhor os seus animais. Um comportamento que parece teimosia pode, afinal, ser ansiedade, medo ou necessidade de atenção.
Além disso, pode ser muito importante para os animais selvagens. Se os cientistas compreenderem como comunicam e do que precisam, poderá ser mais fácil protegê-los e conservar os seus habitats.

