Estes fenómenos tornam-se mais prováveis depois de vários dias de chuva forte e vento intenso, como aconteceu nas tempestades Kristin e Leonardo. A água infiltra-se na terra até o solo ficar completamente encharcado. Quando isso acontece, o terreno perde estabilidade.
Numa encosta, esse peso extra pode fazer com que a terra, as pedras e até árvores se soltem e desçam encosta abaixo. Se houver casas, estradas ou pontes por perto, os prejuízos podem ser significativos.
Também podem acontecer com o tempo seco
Mas os deslizamentos não acontecem apenas em dias de chuva. Também podem ocorrer em tempo seco, sobretudo em arribas junto ao mar. Por exemplo, nas arribas do Algarve, o vento, a água do mar e as variações de temperatura vão desgastando lentamente a rocha.
Ao longo do tempo, criam fissuras e fragilizam a estrutura. Mesmo sem chuva, um pedaço de arriba pode desprender-se e cair. É por isso que, em muitas praias, existem avisos para não permanecer demasiado perto das falésias.
Outro fator importante é a ação humana. Quando se constroem casas ou estradas em encostas sem estudos adequados, altera-se o equilíbrio natural do terreno. Cortar a base de uma encosta ou retirar demasiada vegetação pode aumentar o risco de deslizamento. O solo deixa de ter o mesmo apoio e proteção.
A floresta ajuda a "segurar" os terrenos
As árvores desempenham aqui um papel fundamental. As suas raízes funcionam como uma rede que segura a terra e ajuda a manter o solo mais firme. Além disso, as plantas absorvem parte da água da chuva, reduzindo a quantidade que fica acumulada no terreno.
Em zonas montanhosas, a existência de floresta e vegetação bem cuidada contribui para diminuir o risco de deslizamentos.
Por isso, é essencial haver bom planeamento urbanístico. Antes de construir, engenheiros e especialistas estudam o tipo de solo, a inclinação do terreno e o risco de cheias ou deslizamentos. Decidir onde se pode ou não construir ajuda a proteger pessoas, casas e infraestruturas.

