O local estende-se por cerca de 1200 quilómetros, o equivalente a atravessar Portugal continental quase duas vezes de norte a sul, e está a ser descrito pelos investigadores como um dos mais importantes achados de sempre sobre a vida a grandes profundidades.
O gigantesco cemitério de baleias foi encontrado perto do ponto mais profundo da zona de fratura de Diamantina, uma região do oceano Índico caracterizada por fossas e cristas submarinas.
Esta paisagem submersa começou a formar-se entre 60 e 50 milhões de anos atrás, quando a Austrália e a Antártida se separaram, num processo que alterou profundamente a configuração dos oceanos do hemisfério sul.
Foi neste cenário geológico, moldado por movimentos tectónicos ocorridos muito antes do aparecimento dos seres humanos, que os cientistas identificaram centenas de restos de baleias acumulados ao longo de milhões de anos.
Os investigadores acreditam que esta região do Índico funcionou durante milhões de anos como uma rota frequentada por baleias.
À medida que alguns destes animais morriam, os seus corpos afundavam-se e acumulavam-se no fundo marinho, criando um arquivo natural da história destes mamíferos.
A descoberta revelou não apenas fósseis antigos, como espécies que ainda não conheciam, de baleias e de outros seres vivos.

