O lince-ibérico é um dos animais mais ameaçados da Europa. Tem patas compridas, orelhas com pequenos tufos de pelo preto e manchas no corpo que o ajudam a esconder-se na natureza.
Durante muito tempo, esteve em perigo de desaparecer por causa da caça, da destruição do habitat e da falta de coelhos-bravos, que são o seu principal alimento.
A Serra da Malcata tem uma ligação muito especial ao lince. Foi precisamente para proteger este animal que a reserva natural da Malcata foi criada, em 1981.
Mesmo assim, os linces acabaram por desaparecer daquela zona. Agora, muitos anos depois, há um projeto pretende trazer o felino de volta.
Os primeiros animais deverão viver numa grande área protegida e cercada, mas com espaço natural para correr, caçar e adaptar-se ao ambiente. A ideia é que, no futuro, possam circular livremente pela serra.
Em Portugal, o lince-ibérico vive atualmente em várias zonas do sul do país, sobretudo no Vale do Guadiana, entre o Baixo Alentejo e o Algarve.
Os primeiros animais foram libertados na natureza nesta região e, desde então, já nasceram muitas crias em liberdade, sinal de que a espécie está lentamente a recuperar.
Salvar o lince não significa apenas libertar animais
Também é preciso proteger as florestas e o mato mediterrânico onde vivem, aumentar o número de coelhos-bravos e evitar atropelamentos nas estradas. Para isso, existem sinais de aviso e sistemas que alertam os condutores quando há animais por perto.
Os cientistas consideram este projeto um dos maiores sucessos da proteção da natureza na Península Ibérica.
Há pouco mais de 20 anos, quase não existiam linces-ibéricos.
Hoje, graças ao trabalho de muitos especialistas em Portugal e Espanha, este felino está lentamente a regressar às serras e campos onde viveu durante séculos.

