Trazer de volta animais extintos não é ficção

SIC Explica-me

Trazer de volta animais extintos não é ficção

Já imaginaste caminhar por um parque e encontrar um mamute lanudo a pastar, como se estivéssemos num filme como o Parque Jurássico? Parece magia, mas hoje a ciência está a explorar formas de recriar animais muito parecidos com espécies que desapareceram há milhares de anos. O nome deste campo científico é "desextinção".

Mas será que podemos mesmo trazer de volta animais extintos? Vamos explicar como a genética está a abrir portas que, até há pouco tempo, pareciam fechadas.

O segredo está no manual de instruções da vida

Todos os seres vivos têm ADN, uma espécie de manual de instruções que contém informação sobre como o corpo é construído. É o ADN que ajuda a determinar características como a cor dos olhos, o tipo de pelo ou o tamanho de um animal.

Quando uma espécie se extingue, o seu ADN normalmente desaparece com o passar do tempo. Mas, em casos raros, pequenos fragmentos podem ficar preservados em restos muito bem conservados, como ossos, dentes ou animais congelados no gelo durante milhares de anos.

É isso que acontece com alguns mamutes encontrados na Sibéria. Os cientistas conseguem recuperar pequenos bocados do seu ADN e estudá-los em laboratório.

Como esse ADN antigo está muitas vezes incompleto (como um puzzle onde faltam peças) os investigadores comparam-no com o ADN do elefante asiático, o parente vivo mais próximo do mamute. O objetivo é descobrir quais eram as características que tornavam os mamutes diferentes dos elefantes atuais.

Mamutes ou algo parecido?

Apesar de muitas vezes ouvirmos dizer que os cientistas querem "trazer os mamutes de volta", o que está a ser estudado não é exatamente a recriação de um mamute verdadeiro.

A ideia é criar elefantes asiáticos geneticamente modificados para terem algumas características dos mamutes, como uma camada espessa de pelo, gordura para resistir ao frio e outras adaptações ao clima gelado.

Qual é a utilidade de tudo isto?

Não se trata apenas de curiosidade científica ou da vontade de voltar a ver animais desaparecidos.

Alguns cientistas acreditam que animais semelhantes aos mamutes poderiam ajudar a restaurar certas paisagens geladas do Ártico. Como são grandes e pesados, poderiam derrubar arbustos, espalhar sementes e compactar a neve ao caminhar.

Segundo esta hipótese, isso poderia ajudar a manter o solo gelado durante mais tempo e reduzir a libertação de gases que contribuem para o aquecimento global.

No entanto, nem todos os cientistas concordam. Alguns especialistas consideram que ainda não existem provas suficientes para saber se estes efeitos seriam realmente significativos.

Há também quem veja a desextinção como uma forma de reparar parte dos danos causados pelos seres humanos. Muitas espécies desapareceram devido à caça excessiva, à destruição dos habitats ou a outras alterações provocadas pela atividade humana.

Que outros animais podem regressar?

Além do mamute, os cientistas estudam formas de recriar características de outros animais extintos.

O dodó era uma ave que vivia nas Ilhas Maurícias e que desapareceu há cerca de 300 anos

Entre os exemplos mais conhecidos estão o dodó, uma ave que vivia nas Ilhas Maurícias e desapareceu há cerca de 300 anos, e o tigre-da-Tasmânia, um marsupial carnívoro que se extinguiu no século XX.

O tigre-da-Tasmânia parecia um cão, tinha riscas escuras nas costas como o tigre e uma bolsa para transportar as crias, como os cangurus

Estas questões dão que pensar

A desextinção levanta muitas perguntas.

O mundo onde estas espécies viveram era diferente do atual. Será que conseguiriam adaptar-se aos ecossistemas de hoje?

E será que vale a pena investir milhões de euros para tentar recriar espécies extintas quando existem tantas espécies vivas em risco de desaparecer?

Os cientistas continuam a debater estas questões e ainda não existem certezas.