A música mexe com as nossas emoções, será magia?

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A música mexe com as nossas emoções, será magia?
Milko

Há músicas que quase nos obrigam a dançar ou a cantar. Outras ajudam-nos a acalmar ou fazem-nos lembrar alguém ou algum lugar. E depois existem aquelas que nos provocam arrepios. Mas porquê? A resposta está, em grande parte, no nosso cérebro.

Quando ouvimos uma música, as ondas sonoras entram pelos ouvidos e são transformadas em sinais que o cérebro consegue interpretar. Por isso, ouvir música é mais do que perceber se um som é mais agudo ou mais grave.

O cérebro começa a reconhecer ritmos, melodias, vozes e padrões e a relacioná-los com aquilo que já conhecemos.

A música pode ativar várias regiões do cérebro envolvidas na memória, na atenção, no movimento e no processamento das emoções.

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Então uma música alegre deixa toda a gente feliz?

Não existe uma espécie de botão no cérebro em que carregamos “música alegre” e recebemos automaticamente “felicidade”.

A forma como reagimos a uma música depende de vários fatores, ou seja, da própria música, das nossas experiências, memórias, expectativas e até do momento em que a estamos a ouvir.
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Uma canção que alguém considera divertida pode fazer outra pessoa sentir tristeza. E uma música que normalmente associamos a um momento feliz pode deixar-nos nostálgicos anos mais tarde.

Imagina que existe uma música que ouves sempre durante as férias com a tua família. Quando voltas a ouvi-la, mesmo muito tempo depois, ela pode trazer de volta imagens, lugares e sensações desse período.

A música funciona, nesse caso, quase como uma máquina de viajar no tempo.

E quando nos arrepia?

Algumas pessoas sentem arrepios ou pele de galinha quando ouvem determinadas músicas. Pode acontecer durante uma parte inesperada de uma canção, quando entra um instrumento, quando a voz sobe de repente ou num momento especialmente emocionante.

Esses arrepios estão relacionados com a forma como o cérebro responde a estímulos que considera particularmente significativos ou intensos.

Uma parte importante desta experiência envolve o sistema de recompensa do cérebro, que participa na sensação de prazer e motivação. Quando uma música cria uma expectativa e depois acontece algo que nos surpreende ou satisfaz essa expectativa, o cérebro pode responder de uma forma especialmente intensa.

O cérebro gosta de saber o que vem a seguir

Quando conhecemos uma música, conseguimos muitas vezes antecipar o que vai acontecer. Sabemos quando chega o refrão. Conseguimos prever uma mudança de ritmo. Sabemos que determinada nota está prestes a aparecer.

O cérebro é excelente a reconhecer padrões e a fazer previsões.

Por isso, quando uma música confirma aquilo que esperávamos, podemos sentir satisfação. Mas quando introduz uma mudança inesperada também pode captar a nossa atenção.

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Também nos pode “obrigar” a dançar

A música também está muito ligada ao movimento.

Quando ouvimos um ritmo regular, o cérebro consegue sincronizar os movimentos do corpo com esse ritmo. É por isso que, muitas vezes, começamos a bater o pé, abanar a cabeça ou dançar sem termos decidido conscientemente fazê-lo.

O nosso cérebro está a tentar acompanhar o padrão que está a ouvir.

Da próxima vez que uma música te der vontade de dançar, te fizer lembrar alguém ou te provocar arrepios, já sabes que há muito mais a acontecer na tua cabeça e não apenas nos teus ouvidos.