Também se lê com os dedos

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Também se lê com os dedos

Já reparaste que há pontinhos em relevo nas embalagens de medicamentos, nos elevadores ou até nos menus de alguns restaurantes? Esses pontinhos ajudam cegos ou pessoas com baixa visão a lerem com os dedos.

O Braille é um alfabeto especial feito de pontos em relevo, ou seja, pequenas bolinhas que se sentem com a ponta dos dedos.

Em vez de usar os olhos para ver letras, as pessoas cegas usam o tato para reconhecer esses pontos e ler palavras, frases e números.

Cada letra, número ou sinal de pontuação é representado por uma combinação de até seis pontos, organizados em duas colunas de três pontos cada. Por exemplo:

A letra A é representada por um único ponto no canto superior esquerdo.
A letra B tem dois pontos na coluna da esquerda.
A letra C é formada por dois pontos na parte de cima, um em cada coluna.

Com apenas seis pontos, é possível criar 63 combinações diferentes, suficientes para representar o alfabeto, os números, a pontuação e até símbolos matemáticos e musicais.

Quem inventou o Braille?

O Braille foi inventado por Louis Braille, um jovem francês que nasceu em 1809. Quando tinha apenas três anos, sofreu um acidente na oficina do pai, que fazia selas para cavalos, e perdeu a visão.

Mais tarde, ao estudar numa escola para jovens cegos em Paris, Louis conheceu um sistema de leitura em relevo criado por um militar. O método era difícil de usar, e Louis acreditou que podia melhorá-lo.

Louis Braille

Com apenas 15 anos, criou o sistema simples e eficiente que hoje conhecemos como Braille, uma invenção que mudaria a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Como funciona na prática?

Para ler em Braille, as pessoas passam os dedos suavemente sobre os pontos, normalmente da esquerda para a direita, tal como fazemos quando lemos com os olhos. Com treino, conseguem ler com grande rapidez. Algumas chegam a ultrapassar as 200 palavras por minuto.

O braille é essencial para a autonomia e a independência das pessoas cegas. Permite estudar, trabalhar, ler por prazer e aceder à informação sem depender constantemente de outras pessoas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, existem mais de 40 milhões de pessoas cegas em todo o mundo. Para muitas delas, o Braille é uma ferramenta fundamental para aprender e conhecer o mundo.