O som é feito de vibrações. É como quando sentes o telemóvel a vibrar no bolso. Pessoas surdas conseguem sentir a música dessa forma: através do chão, das colunas ou do próprio instrumento. Um tambor a bater com força faz o corpo vibrar, quase como um coração a bater depressa.
Ver a música ajuda a tocá-la
A música também pode ser vista. As notas numa pauta são como um mapa que mostra o caminho da música. Há programas de computador que mostram os sons em linhas e cores. Assim, mesmo sem ouvir, é possível saber se o som é grave, agudo, forte ou suave.
Tal como num jogo, a música também tem regras. Existem escalas, ritmos e acordes. Quando alguém aprende essas regras, consegue criar música do mesmo modo que se constrói uma história com palavras. Não é preciso ouvir tudo para saber se faz sentido.
Muitos músicos surdos gostam de instrumentos que se sentem bem no corpo, como o piano ou a bateria. É como dançar: sentes o ritmo nos pés e nas mãos, mesmo sem pensar.
Algumas pessoas surdas criam música com a ajuda de amigos ouvintes, professores ou técnicos. É como quando se escreve um texto e alguém ajuda a rever. A ideia é da pessoa, mas o trabalho pode ser partilhado.
A música também é sentir, imaginar, contar histórias sem palavras. Por isso, pessoas surdas também podem tocar e compor música. Porque, no fundo, a música não vive só nos ouvidos. Vive no corpo, na cabeça e no coração.

