A 16 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Alimentação, que nos lembra a importância de garantir que todas as pessoas têm comida suficiente e saudável. Mas pode ser um momento para refletirmos sobre alguns desafios que enfrentamos: como alimentar uma população que não para de crescer? Atualmente, a agricultura já ocupa metade das terras habitáveis do planeta e consome cerca de 70% da água doce utilizada pelas pessoas.
Com as alterações climáticas e a previsão de que seremos cada vez mais, precisamos de descobrir novas formas de produzir alimentos. É por isso que os cientistas estão a experimentar soluções que podem transformar o que chega ao nosso prato. Vamos conhecer algumas?
Hortas dentro de prédios
Se já quase não há espaço no campo, as hortas podem mudar-se para as cidades. Chama-se agricultura vertical: alfaces, morangos e tomates crescem em prateleiras empilhadas, dentro de edifícios, com luz de lâmpadas LED. Não há terra nem tratores. As raízes ficam mergulhadas em água com nutrientes ou recebem uma névoa (uma chuva muito, muito fininha) com esses nutrientes.
A vantagem é que estas hortas podem gastar até 95% menos água do que uma horta tradicional e produzem o ano inteiro, haja chuva ou sol.
Mas as luzes e as máquinas gastam muita eletricidade, e é por isso que os cientistas ainda estão a procurar formas de gastar menos energia. Para já, fica muito caro.
Carne feita em laboratório
A carne cultivada é carne verdadeira de animal. Os cientistas recolhem uma pequena amostra de células de um animal, sem ser preciso abatê-lo, e colocam-nas num biorreator, um grande recipiente com os nutrientes de que as células precisam para crescer. As células multiplicam-se até formarem tecido muscular, que é o que comemos como carne.
Snacks de insetos
Mais de dois mil milhões de pessoas, sobretudo na Ásia, em África e na América Latina, já comem insetos. Têm muita proteína, ferro e cálcio, e reproduzem-se depressa. Mas não é preciso ter medo: ninguém vai ter de olhar para as antenas de um grilo no prato.
O mais provável é que os insetos sejam moídos até se transformarem em farinha, usada em massa, pão, barras de cereais ou bolachas.
Porquê tantas mudanças?
A carne de vaca é um bom exemplo. Para produzir um quilo, gasta-se muita água, o suficiente para encher uma piscina pequena. Os insetos precisam de muito menos água e de muito menos espaço para produzir a mesma quantidade de proteína.
Se calhar a tua alface estará no teu prédio!
Imagina a seguinte mesa em 2050: uma salada colhida num prédio do bairro, massa com um ingrediente surpresa e um bife que nunca andou num pasto. À primeira vista, parece um jantar como os de hoje. A grande diferença está no caminho que a comida fez até chegar ao prato.

