As borboletas pregam partidas para se salvarem

SIC Explica-me

As borboletas pregam partidas para se salvarem
Darrell Gulin

Já viste uma borboleta a voar? Parece que anda à deriva, mas os cientistas descobriram que as riscas das suas asas e este voo imprevisível funcionam como um truque para escapar a quem a quer comer.

Uma equipa de duas universidades do Reino Unido descobriu que o desenho das asas e o modo como a borboleta voa criam uma ilusão de ótica. O predador vê mal a velocidade e a direção do voo e, por isso, falha o ataque.

Darrell Gulin

Um mistério antigo

Os cientistas já se perguntavam porque é que as borboletas têm asas tão chamativas e, mesmo assim, há poucos animais especializados em caçá-las no ar. Com as traças é diferente: são apanhadas por muitos predadores que se orientam pela vista.

O truque do poste de barbeiro

Em algumas barbearias antigas, há um poste com riscas vermelhas, azuis e brancas. O poste só gira sobre si mesmo, mas as riscas parecem subir sem parar. É uma ilusão de ótica, e o efeito nas asas das borboletas é parecido.

Peter Carruthers

Quando a borboleta bate as asas, elas deformam-se. Chocam uma na outra quando sobem e afastam-se quando descem. Assim, o ângulo das riscas vai mudando e apontam para direções diferentes. Para o olhar de um predador, isto cria sinais falsos de movimento e esconde por onde a borboleta está mesmo a ir.

Um ataque decidido em milésimos de segundo

Hari Prasad

No momento final do ataque, o predador decide avançar em segundos, mais depressa do que um piscar de olhos, e já não consegue mudar de ideias. Se nesse instante estiver enganado sobre a posição da borboleta, falha o alvo. Ou acerta numa parte menos importante, como a asa de trás ou a cauda, e a borboleta escapa.

Como foi descoberto

Os cientistas fizeram simulações no computador e filmaram borboletas reais a levantar voo com uma câmara de alta velocidade.

Esta câmara grava mais de mil imagens por segundo, o que permitiu ver o padrão das asas como o vê um pássaro. As simulações mostraram que as riscas verticais com muito contraste, as faixas únicas e as caudas nas asas de trás confundem mais.

Acontece noutros animais?

Os investigadores acreditam que esta confusão visual pode ser muito mais comum na natureza do que se pensava. Pode estar presente, por exemplo, no bater de asas das aves e nos movimentos rápidos da cauda de lagartos e peixes.