Hoje, estes animais continuam a existir, mas em número muito reduzido. O burro anão da Graciosa é considerado uma raça em risco de extinção.
Mas há uma história especial que ajudou à sobrevivência dos pequenos burros
No final de 2007, pouco tempo depois de se ter mudado para a ilha Graciosa, o italiano Franco Ceraolo começou a dedicar-se à proteção e criação destes animais. O seu primeiro burro chamava-se Paco.
Foi um dos grandes impulsionadores da criação da Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da ilha Graciosa (ACABAIG) e teve um papel importante no processo que levou ao reconhecimento da raça.
Esse reconhecimento oficial chegou em 2015. O burro da Graciosa passou a estar, juntamente com o burro de Miranda, no grupo das raças de burros originárias de Portugal.
Depois de cerca de duas décadas ligadas a este projeto, Franco Ceraolo regressou a Itália. Ainda assim, o trabalho não ficou pelo caminho. Na localidade de Esperança Velha, a missão continuou pelas mãos de Sandra Santos, que deu continuidade ao esforço de cuidar e preservar estes animais.
Pequeno, gracioso e forte
Pequeno em tamanho, mas resistente e perfeitamente adaptado ao terreno vulcânico da ilha, este burro tornou-se um símbolo do património natural e cultural açoriano.
A preservação junta grupos cívicos, criadores e o apoio científico da Universidade dos Açores. O objetivo é proteger a raça, garantir boas condições de vida aos animais e sensibilizar as novas gerações para a importância de conservar esta herança única.
Mas preservar estes burros não significa apenas evitar que desapareçam
Os burros são animais muito sociáveis: criam laços fortes entre si e podem até tornar-se amigos de outras espécies, como cães, cabras, cavalos e pessoas. Por isso, garantir companhia e boas condições de bem-estar faz parte dos cuidados de que precisam.
Atualmente, o Burro da Graciosa desperta também a curiosidade de visitantes que chegam à ilha para conhecer de perto estes animais raros e a história que carregam. Pequenos, tranquilos e afáveis, conquistam quem os encontra.
Salvar o Burro da Graciosa é também preservar memórias, tradições e uma parte única da biodiversidade portuguesa.

