O número de satélites tem aumentado muito devido aos serviços de telecomunicações, como a internet por satélite, e os cientistas alertam que os planos para lançar tantos satélites podem ir longe demais.
Segundo o estudo, os satélites tornam o céu noturno mais brilhante, dificultam o trabalho dos telescópios e impedem os astrónomos de observar galáxias distantes, planetas à volta de outras estrelas e até asteroides que se aproximam da Terra.
Poluição luminosa e impacto na qualidade do ar
A empresa norte-americana Reflect Orbital quer lançar satélites com espelhos para refletir a luz do Sol durante a noite e iluminar algumas zonas da Terra. O objetivo é ter cerca de 50 mil satélites deste tipo até 2035.
Os investigadores dizem que estes satélites poderiam brilhar tanto como o planeta Vénus e, em alguns casos, parecer ainda mais luminosos do que a Lua Cheia.
Além dos efeitos na astronomia, os cientistas acreditam que o excesso de luz artificial pode afetar a saúde das pessoas e os ecossistemas, perturbando os ritmos naturais de animais e plantas.
Galáxias, planetas e asteroides podem deixar de ser observados
Outro problema é a poluição causada pelos muitos lançamentos de foguetões e pela destruição dos satélites quando regressam à atmosfera.
Os satélites refletem a luz do Sol e deixam rastos luminosos quando atravessam o campo de visão dos telescópios. Esses rastos podem esconder galáxias muito distantes, planetas em torno de outras estrelas e até asteroides potencialmente perigosos para a Terra.
Atualmente existem mais de 14 mil satélites ativos em órbita. Se forem contabilizados satélites desativados e detritos espaciais, o número ultrapassa os 32 mil.
Os autores defendem que o número total de satélites deverá ser limitado a cerca de 100 mil, desde que sejam pouco brilhantes para não serem visíveis a olho nu num céu escuro.
A decisão cabe aos reguladores
As propostas de várias empresas aguardam autorização da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), responsável por avaliar estes pedidos.
As empresas defendem que estas propostas vão permitir expandir serviços como a Internet por satélite, comunicações globais e novos centros de dados espaciais.

